Nesta segunda-feira, dia 31, a Procuradoria Geral da República (PGR) fez uma denúncia, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), de homofobia contra o Ministro da Educação Milton Ribeiro. A suprema corte reconhece, desde 2019, a homofobia como crime e o tribunal deve decidir se o Milton Ribeiro vira réu ou não.
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Quando se deu início à investigação da PGR contra o Ministro da Educação?
Tudo começou quando o Ministro deu declarações de cunho homofóbico em uma entrevista ocorrida em 2020 ao jornal O Estado de S. Paulo. Na ocasião, ele foi questionado sobre a existência de aulas sobre educação sexual nas salas do ensino básico no país.

Nas respostas, Milton Ribeiro afirmou considerar importante esse tópico, principalmente para servir como arma no combate à gravidez precoce de adolescentes, mas também falou que não pode haver espaço, nas salas de aula, para debates sobre gênero e sexualidade.
Ainda sobre o mesmo assunto, ele associou a homossexualidade a um contexto familiar conturbado, ou seja, de “famílias desajustadas”, nas palavras do próprio. Ele ainda disse que muitos jovens optam por ser gays e que isso é uma questão de “valores e princípios”.
Como se deu repercussão da fala do Ministro: Inclusive com pedido de Impeachment
As falas do Ministro durante a entrevista provocaram reações rápidas de diferentes setores da sociedade, inclusive com pedido de impeachment. Na época do ocorrido, a ativista e hoje vereadora de São Paulo, Erika Hilton, protocolou, junto à PGR, o pedido formal de afastamento do Ministro da Educação, Milton Ribeiro.
Em sua fala, nas redes sociais, a vereadora enfatizou que um membro do Governo, dotado de popularidade e influência, não pode disseminar a homofobia sob risco de motivar as famílias a discriminarem seus próprios filhos LGBTs.
Para o ministro, as falas foram descontextualizadas e tiveram partes pontuais omitidas, o que influenciou numa leitura, segundo ele, equivocada das mesmas.
O que já foi dito pelo Ministro Milton Ribeiro com polêmicas?
Essa não foi a única vez que o Ministro Milton Ribeiro proferiu falas polêmicas. Ele disse, em agosto do ano passado, que as universidades deveriam ser para poucos e que o foco deveria estar nos institutos que oferecem ensino técnico. A fala recebeu criticas, pois flerta com um discurso que vai de encontro ao processo de democratização do acesso ao ensino superior no país.
Na mesma ocasião, o Ministro ainda falou que a presença de alunos com deficiência nas salas de aulas comuns atrapalham o aprendizado dos demais. Ao tentar consertar a fala, em outra ocasião, Ribeiro disse que uma parcela das crianças que estudam no ensino básico, têm deficiências que tornam “impossível a convivência”, o que agravou a situação.
Em outra oportunidade ele também chegou a falar de professores trans, quando afirmou que esses educadores não podem incentivar seus alunos a “andarem por esse caminho”. A repercussão foi imediata e muitas pessoas acusaram o Ministro de preconceito e classificaram as falas como pertencentes a um discurso de ódio direcionado às pessoas trans.








